Existem furos que pela sua utilização exigem um rigor dimensional e acabamento, assim são utilizadas ferramentas capazes de conferir estas exigências.
Os furos abertos em com a broca helicoidal não ficam lisos nem correspondem às medidas exigidas e portanto não satisfazem as exigências de ajustamento de cavilhas, extractores, veios, casquilhos, etc. Um furo que corresponda às medidas exigidas e com paredes lisas só pode ser obtido por meio de mandrilagem.
Como ferramenta para tal trabalho utiliza-se o mandril. Esta ferramenta tem na periferia navalhas e é introduzido no furo previamente aberto por meio de furação em desbaste. Graças ao movimento de rotação e avanço as navalhas arrancam aparas finas. A mandrilagem é um trabalho de acabamento fino (tolerância H7).
Tipos de mandris de acordo com a operação:
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Mandril manual – É utilizado em situações muito restritas, situações já na fase de montagem de um ou outro furo que necessita de ser passado com o mandril por este se encontrar “apertado” demais para o efeito. Contudo, como o mandril tem uma zona de entrada (cónica) muito grande é inadequado para furos cegos (não passantes). Por razões económicas e de racionalização deve-se tentar resolver toda a mandrilagem de furos com mandris de máquina. |
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Mandril de máquina – Apresenta-se com encabadouro cilíndrico para pequenos diâmetros, para grandes diâmetros apresenta encabadouro cónico (cone morse). As principais características que levam a distinguir este do manual são comprimento de navalhas curto e zona das navalhas toda ela cilíndrica, com apenas chanfro a 45º. |
Procedimento para a mandrilagem:
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Furação prévia (em desbaste) com broca de diâmetro inferior ao do furo pretendido de acordo com valor recomendado para o efeito. |
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Mandrilagem do furo. |
Tabela de orientação para o excesso de aço nos furos para mandrilar
| Material a mandrilar |
Excesso de material a deixar no furo para mandrilar |
| Até Ø2,0mm |
Até Ø2,5mm |
Até Ø5,1mm |
Até Ø10,2mm |
Acima de Ø10,2mm |
| Aço até 70 kg/mm2 |
Até 0,1 |
0,1 – 0,2 |
0,2 |
0,2 – 0,3 |
0,3 – 0,4 |
| Aço acima de 70 kg/mm2Aço inoxidável, material sintético mole |
Até 0,1 |
0,1 – 0,2 |
0,2 |
0,2 |
0,3 |
| Latão, Bronze |
Até 0,1 |
0,1 – 0,2 |
0,2 |
0,2 – 0,3 |
0,3 |
| Ferro fundido |
Até 0,1 |
0,1 – 0,2 |
0,2 |
0,2 – 0,3 |
0,3 – 0,5 |
| Alumínio, Cobre eletrolítico |
Até 0,1 |
0,1 – 0,2 |
0,2 – 0,3 |
0,3 – 0,4 |
0,4 – 0,5 |
| Material sintético duro |
Até 0,1 |
0,1 – 0,2 |
0,2 |
0,4 |
0,5 |
| No uso de mandris com 45º os valores devem ser aumentados em 50% |
Regras a observar nas operações de mandrilagem
Antes de executar a operação:
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Verificar se a peça está correctamente identificada e respectivo material. |
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Verificar se o desenho corresponde à peça a maquinar. |
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Verificar dimensões dos furos prévios para mandrilar. |
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Preparar todos os meios necessários e eficazes à realização da operação. |
Durante a execução da operação:
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Fixar correctamente a peça, afim de evitar o seu deslocamento durante a operação. |
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Fixar correctamente o mandril. |
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Testar cada furo com calibre (cavilha, extractor, etc.). |
Após a operação:
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Antes de retirar a peça da máquina verificar se todo o trabalho foi executado, de acordo com o desenho e outras instruções. |
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Efectuar os registos de Auto Controlo e/ou outros (se for caso disso). |
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Limpar convenientemente a peça antes de a entregar. |